28/01/2011 - Siem Reap - Angkor Wat - Floating Vilage (Diário na Ásia #14)

Despertar antes das 8h, meia dúzia de cornflakes e um croissant pequeno. Nada mau para os últimos dias.

O Thong (é assim que se lê, mas não como se escreve) esperáva-nos como combinado. O nosso número 4 é cumpridor.
Em 10 minutos chegámos às portas de Angkor, onde os turistas pagam $ 20 USD por um dia de visita. E aí entrámos, tal como em Halong Bay (Vietname), noutro mundo. No meio duma gigantesca floresta, vários templos. O mais conhecido, Angkor Wat. Fica completamente rodeado por um lago. Para além de ser o mais conhecido, é também o templo (wat) maior.

Portas de Angkor

Angkor Wat

Os vendedores ambulantes têm o seu local próprio para estarem, sendo possível visitar os templos sem se ser importunado. 
Este (Angkor) é grandioso. 
São todos construídos com pedras, somente pedras. A beleza é, para não variar, indescritível. Afinal, esta é uma das 7 Maravilhas do Mundo.
Ao redor, no meio da floresta, existem centenas de macacos, convivendo normalmente com as pessoas. Alguns no chão, outros nas lianas. É giro, é diferente.





Angkor Wat é constituído por 3 principais torres, bastante mais altas que o quadrado onde estão envoltas. Mas tudo se liga, é um puzzle que faz sentido. Todas, ou quase todas as paredes, contêm inscrições, como por exemplo, uma em que estão demonstrados os 32 níveis de céu que existem. Em qual estarei eu?! E tu? Pois...


Foram 2 horas só em volta deste maravilhoso templo, sempre a pé, sempre a subir e a descer, sempre sob um sol abrasador. Trouxe um quadro, uma tela grande que me apaixonou, em amarelo/dourado, com o templo, os elefantes e o Sol. Espero que em casa tenha o mesmo efeito.


Voltando ao tuk-tuk, andámos mais um pouco e ficámos numa zona com mais 3 templos para vermos, sempre a pé. Não sei os nomes, mas são lindos. Não tão grandiosos como o anterior, mas mais acolhedores e mais dentro da floresta.
Sempre as pedras, sempre figuras simétricas, sempre bonitas e encantadoras. Como é possível? Tudo isto foi construído para os Deuses, uma enormidade de templos perdidos numa gigantesca floresta.



Quem viu o filme Tomb Raider (onde consta que foi quando Angelina Jolie se apaixonou por este País e este povo - e eu acredito) facilmente encontra semelhanças. Algumas cenas foram aqui filmadas. Mas ao vivo, é bem melhor...


Pelo meio fizémos amizade com duas dinamarquesas que viajam durante 2 meses. A Kristine e a Ane, devem ter a nossa idade. Andavam nos templos e cruzámo-nos algumas vezes. Tirámos uma fotografia em conjunto e fiquei de lhas enviar um dia mais tarde.


Chegou a hora de almoço, o tuk-tuk do Thong levou-nos a um restaurante simpático, no qual ia desmaiando. A fraqueza era muita. Tive que comer açucar para me aguentar. E aguentei e almocei uns pedaços de carne. Ansiava pelo recosto do tuk-tuk para retemperar energias. 
Assim foi, mas no próximo templo (OK, agora são todos iguais, excepto este e mais uns que ficaram com raízes de árvores a envolvê-los) fiquei a descansar, entrando novamente em quase desmaio. Julgo que me aguentei porque, sem o Jota, ficavam as minhas coisas "desamparadas". Cheguei a ficar com a visão turva, mas lá aguentei.



Entretanto o Jota chegou, deviam ser umas 15h. Vimos mais uns templos de tuk-tuk e parámos para ver crocodilos. Milhares. Sim, milhares, entre adultos e bebés. Estão num recinto fechado e metem medo. Muito. Chamem lá o Crocodilo Dundee para vir cá...nem ele se atrevia a espreitar onde aqui os portugueses andaram de máquina em punho. Aliás pedimos para segurar num dos bebés, mas disseram logo que era impossível, pois também eles nos iam fazer emagrecer, digamos que à força.



Terminada esta epopeia (sempre quis dizer isto), seguimos para um porto, talvez a uns 20 minutos de distância. O rio é sujo, só se vê castanho, mas é por aqui vamos de barco a uma verdadeira "floating village".

Depois de navegarmos durante uns 30 minutos, chegámos ao mar. Ups, afinal isto é tudo um lago, mas dum tamanho tal que não se vêem margens em lado nenhum.
Mas antes disso, é preciso explicar o caminho até à floating village. Ao nosso lado, vão-se aproximando lanchas rápidas, algumas donde saem crianças em andamento para o nosso barco, para tentarem vender algo. Outros barcos levam miúdos com cobras enormes enroladas sobre eles, gritando "one dollar, one dollar". Quase como se fosse um infeliz circo de variedades, onde tentam fazer números diferentes para os turistas. 



Enquanto isso, nas margens deste afluente vemos homens com água até ao pescoço, a trabalharem, a apanharem peixes com redes. Os miúdos a tomarem banho e a brincarem. 


As casas são pobres, muito pobres, feitas sobre estacas para aguentarem as subidas do nível da água deste afluente.
É este cenário que se tem até se desembarcar no "mar".

E agora sim, a verdadeira vila flutuante. Tirando os óbvios barcos, tudo foi construído sobre grandes flutuadores (normalmente barris). O que começou por ser uma vila com 20 pessoas, tem agora mais de 5000.
Passámos por polícia, reservatório de água, lojas, oficinas, escola, etc.. Tinham tudo, ou quase. Mas o nível de pobreza e de condições em que esta gente vive é assustador.




Parámos num espaço grande, com umas lojas (se é que podemos chamar de lojas), onde ao nos aproximarmos, já apareciam crianças a navegar em alguidares (sim, alguidares), a virem abordar-nos e a pedir 1 dólar, fazendo as suas acrobacias com as cobras. Triste. E isto existe neste nosso mundo.
Nesse grande convés flutuante, aquários com peixes do rio e um tanque com crocodilos. Dizem que agora já não existem perto da sua vila. Convém.




Acreditem, por parca ou extensa que esta descrição seja, não é fácil gerir tudo o que se está a passar à nossa volta. É incrível pensar que se vive nestas condições.
No regresso ao porto/cais onde nos esperava o nosso número 4, tivemos tempo de pensar no que vimos e na sorte que temos. E também tivemos tempo de ver o nosso barco embater noutro, mas como na altura a velocidade era reduzida, tudo tranquilo.


Fomos para o hotel, pois já eram 18h. Queríamos descansar antes da folia da noite. E eu bem precisava de descansar...
O pior foi tentar dormir e não conseguir. Estava tão exausto que não conseguia abrandar o ritmo. Reparei que tinha, permanentemente, o batimento cardíaco muito elevado, deitado na cama, em completo repouso.
Comecei a perceber que já estava muito debilitado fisicamente, após vários dias sem me tratar. Liguei aos pais e disse que ia voltar, não andava bem, estava a ser um sofrimento e não me sentia bem a preocupar ou prejudicar o Jota, que nesta altura já tinha dormido e estava a passear pelo hotel. Liguei-lhe e pedi que me levasse ao hospital, que fica a 3 minutos do hotel. 

Confirmou-se o batimento cardíaco anormal e o internamento pela noite. O Jota ficou comigo e em permanente contacto com os meus pais. Obrigado a ambos. Sem eles teria sido mais difícil.
Fui medicado, dormi e dormi, mas sempre cansado, exausto.


21 comentários:

  1. Tão giro... tudo tão natural.
    As condições em que certas povoações vivem, são de facto assustadoras e é muito triste quando mais do que adultos envolve crianças a quem nos apetece dar tudo.

    Oh também quero um macaquinho :)

    Quanto à tua saúde, credo, andas-te mesmo desorientado, o que seria de nós se tivesses padecido por lá.
    Não faças outra dessas!

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  2. A penúltima foto está fantástica =)

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  3. Eu estou ali na 3ª foto a dizer: deixa-me em paz :D

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  4. Jony babuska rodriguez10 de maio de 2012 às 16:12

    A Angelina Jolie também deve ser muito melhor ao vivo... e em relação a isso do teu coração mariquinhas, é como dizes na intro do tasco "vai de vela ó cabrão"... mas vai devagarinho sim???? 'tamos lá na sexta javali... abracione

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  5. Mas os miudos andam com as cobras de um lado para o outro?
    Que horror!

    Tu és um menino... Vais para a Ásia e ficas doente!

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  6. Posso fazer piadas com as dinamarquesas e a "Thong"?

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  7. Desconhecia essa humanidade toda em ti! ;)

    Muito prazer, eu sou a MA

    *

    (Que viagem de sonho...)

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  8. "... no meio da floresta, existem centenas de macacos, convivendo normalmente com as pessoas. Alguns no chão, outros nas lianas. É giro, é diferente."

    Diferente?! Macacos vejo eu todos os dias na capital! A única coisa que não há por cá são mesmo as lianas...

    Barpapapa

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  9. Oh POC és tão querido, tão giro.

    Só a cena do hospital é que foi pior.

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  10. Também já por aí passei e foi dos sítios que mais gostei de conhecer desde sempre.

    E tens o meu apoio, também apanhei 41C de febre exactamente aí e nao é pra brincadeiras!

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  11. maria bi polar, talvez11 de maio de 2012 às 06:27

    UAU!!!
    Extraordinária descrição, fiquei extasiada e ao mesmo tempo, expectante, na possibilidade de um dia, sentir semelhantes emoções, poder vir a conhecer esses povos, sem stress, depressão, nada e "quase" tudo, simplesmente vivendo num "paraíso" que já não seria o meu, pois adaptei-me a esta sociedade corruptamente «envangelizada».
    ÓH MEU DEUS!
    Assusta-me, mas sonho, quiçá, vir a conhecer um "pouquinho" dessa realidade Asiática.
    Confesso, que fico um pouco receosa, só de imaginar o que a minha "mente criativa e em erupção" me pode provocar fisicamente.
    Também desconfio, que vou vacilar, até tombar para depois interiorizar, enriquecer de conhecimento e erguer-me mtº. + feliz.
    Mtº. Obrig.
    Bom fim de semana.
    BeijK:).

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  12. Man, ò POC, tudo muito lindinho, triste por ficares doente e cenas, mas tenho a dizer: o que eram aqueles óculos pá? Tás a ficar c'mó outro? Aquilo parecem óculos de gaja!

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  13. Resumo deste post: O Simão tem barba *.*

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  14. Todas lindas, mas consigo gostar ainda mais da última, viagem mental.

    Paralelamente, que sofrimento :(

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  15. Bom post ! In text and style.
    As melhoras...e como o vito...postadas destas em série.

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  16. Essa viagem foi de mais...com Dinamarquesas à mistura e tudo;)

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  17. Este novo capítulo do teu Diário na Ásia deu-me a volta aos sentimentos. Tão depressa estava a rir como senti um aperto pela angústia. É tudo tão natural, tão bonito mas ao mesmo tempo tão pobre. Imagino a experiência que tenha sido para ti, não só pelo que dizes, mas com a naturalidade que expões, faz com que me sinta parte da viagem.

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  18. Sigo o blog há algum tempo, mas só agora me estreei nos comentários...

    E este tema foi perfeito. Desde o Verão passado, em que fui a Macau e HK, que fiquei absolutamente fascinada com a Ásia. Gostaria de conhecer um destino por ano, mas nem sempre a carteira o permite. Contento-me, nos entretantos, com descrições magníficas! :)

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